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sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

"INQUISIÇÃO" À MODA LAVA JATO FAZ INVEJA À DITADURA MILITAR INSTAURADA EM 1964


“CARTA ABERTA EM REPÚDIO AO REGIME DE SUPRESSÃO EPISÓDICA DE DIREITOS E GARANTIAS VERIFICADO NA OPERAÇÃO LAVA JATO"

No plano do desrespeito a direitos e garantias fundamentais dos acusados, a Lava Jato já ocupa um lugar de destaque na história do país. Nunca houve um caso penal em que as violações às regras mínimas para um justo processo... 

Está é uma prática absurda e que não pode ser tolerada numa sociedade que se pretenda democrática, sendo preciso reagir e denunciar tudo isso, dando vazão ao sentimento de indignação que toma conta de quem tem testemunhado esse conjunto de acontecimentos. A operação Lava Jato se transformou numa Justiça à parte. 

Uma especiosa Justiça que se orienta pela tônica de que os fins justificam os meios, o que representa um retrocesso histórico de vários séculos, com a supressão de garantias e direitos duramente conquistados, sem os quais o que sobra é um simulacro de processo; enfim, uma tentativa de justiçamento, como não se via nem mesmo na época da ditadura.

Magistrados das altas Cortes do país estão sendo atacados ou colocados sob suspeita para não decidirem favoravelmente aos acusados em recursos e habeas corpus ou porque decidiram ou votaram (de acordo com seus convencimentos e consciências) pelo restabelecimento da liberdade de acusados no âmbito da Operação Lava Jato, a ponto de se ter suscitado, em desagravo, a manifestação de apoio e solidariedade de entidades associativas de juízes contra esses abusos, preocupadas em garantir a higidez da jurisdição. Isto é gravíssimo e, além de representar uma tentativa de supressão da independência judicial, revela que aos acusados não está sendo assegurado o direito a um justo processo.

É de todo inaceitável, numa Justiça que se pretenda democrática, que a prisão provisória seja indisfarçavelmente utilizada para forçar a celebração de acordos de delação premiada, como, aliás, já defenderam publicamente alguns Procuradores que atuam no caso. 

Num dia os réus estão encarcerados por força de decisões que afirmam a imprescindibilidade de suas prisões, dado que suas liberdades representariam gravíssimo risco à ordem pública; no dia seguinte, fazem acordo de delação premiada e são postos em liberdade, como se num passe de mágica toda essa imprescindibilidade da prisão desaparecesse.

 No mínimo, a prática evidencia o quão artificiais e puramente retóricos são os fundamentos utilizados nos decretos de prisão. É grave o atentado à Constituição e ao Estado de Direito e é inadmissível que Poder Judiciário não se oponha a esse artifício.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

SISTEMA CARCERÁRIO – PRESÍDIO ARY FRANCO EM AGUA SANTA É A PIOR DAS MASMORRAS MEDIEVAIS.



O Presídio Ary Franco no Bairro de Água Santa na Região do Grande Méier é a pior dos piores entre as Unidades Carcerárias do Sistema Prisional do Rio de Janeiro.

O Complexo penal já deveria ter sido desativado faz tempo, mas, continua lá, para a vergonha de quem não se deixa animalizar, e crê, que o Estado tem obrigação de não compactuar com a barbárie e lei do cão.

Leia o que diz a ONU sobre o nosso sistema prisional e relembre matéria aqui publicada sobre o tema.

Representante da ONU aponta falta de profissionais no sistema penitenciário do Rio e diz que tortura ainda persiste.

Isabela Vieira
Repórter da Agência Brasil

Rio de Janeiro - A falta de profissionais é o principal problema do sistema penitenciário fluminense, onde persistem casos de tortura e a ausência de programas de ressocialização. A avaliação é da representante do Brasil no Subcomitê de Prevenção da Tortura e outros Tratamentos ou Penas Cruéis, Desumanos ou Degradantes das Nações Unidas (ONU), Margarida Pressburger. 

Ela participa hoje (26) de seminário sobre o tema na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj).

De acordo com a advogada, a situação mais grave é no presídio Ary Franco, na zona norte da capital, onde é "possível ter uma ideia do que acontece nas demais carceragens". Segundo ela, a infraestrutura é inadequada e não há profissionais suficientes nas áreas de assistência social, saúde e educação. Além da dificuldade de acesso dos presos à Justiça, em função do reduzido número de defensores públicos, ela também afirma que a tortura é uma prática recorrente no local.

"Encontramos um garoto com a cara inchada, as mãos inchadas, vermelhas. Perguntamos o que aconteceu e a resposta é que ele caiu da cadeira. Há caso de prisioneiro que chegou há um ou dois dias e está todo machucado. Dizem que ele foi linchado fora do sistema", relatou Margarida, sobre as visitas a diversas unidades no estado, inclusive, para adolescentes. Ela também preside a Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil no Rio.

De acordo com ela, como a tortura é sempre mascarada das comissões que vistoriam as unidades e, em geral, os presos não denunciam por medo de represálias é muito difícil constatá-la. Para especialistas, profissionais do estado de áreas não ligadas à segurança pública, principalmente saúde, poderiam ajudar a identificar os casos. "Esses profissionais podem detectar se o preso está machucado, quando ele foi machucado e onde estava no momento da agressão. É uma pista a mais", destacou.

Segundo a advogada, em casos onde os presos se agridem mutuamente, também pode haver negligência do estado, que coloca juntos, em uma mesma cela, por exemplo, condenados de facções rivais. Para combater a prática, ela defende a vontade política dos gestores para identificar e punir exemplarmente os funcionários envolvidos em tais práticas. "Tortura tem no mundo inteiro, mas no Brasil é uma questão cultural", avalia.

Procurada pela reportagem da Agência Brasil, a Secretaria de Administração Penitenciária não respondeu às críticas do Subcomitê de Prevenção da Tortura da ONU. 

 Edição: Lílian Beraldo
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MASMORRAS MEDIEVAIS
PUBLICADA ORIGINALMENTE EM 26/09/11 16:36
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