terça-feira, 29 de setembro de 2009

SISTEMA PRISIONAL BRASILEIRO - MASMORRAS MEDIEVAIS E FÉTIDAS QUE ALIMENTAM A VIOLÊNCIA

Foto de uma carceragem no Rio de Janeiro. AS MÁS TENDÊNCIAS SÃO APROFUNDADAS.


A CRUZ VERMELHA INTERNACIONAL, solicitou oficialmente ao governo brasileiro que lhe seja permitido acesso aos presídios do Estado do Rio de Janeiro, com a finalidade que a Instituição faça um estudo pormenorizado da situação dos presos e ainda para que possa ampliar um trabalho que já realiza de conscientização da questão dos Direitos Humanos.


Falar em Direitos Humanos e atenção para presidiários é para grande parte das pessoas uma “heresia”. Uma das frases mais banalizadas é “Direitos Humanos para humanos direitos”, ou seja, quem errou não tem direito a nada, e a preocupação deve ser com as vítimas e não com os algozes. É justamente por preocupação principalmente com as vítimas, que se deve tratar dos algozes, fazer deles cada vez mais elementos cruéis e revoltados, desesperançados e perdidos, só vai fazer com que aumente como já é o caso, a brutalidade e insanidade das ações criminosas.

A Cruz Vermelha tocou num ponto crucial para a questão da violência e criminalidade que assola nosso estado/cidade, e que se repete por todo o Brasil. O sistema carcerário é fator retro-alimentador dessa violência, na medida em que, os que passam pelo sistema carcerário, vivem o seu tempo de preso em condições degradantes, ociosos, amontoados, sem tratamento médico, misturados presos primários com presos perigosos e já quase que irremediavelmente irrecuperáveis. Fazem uma verdadeira pós-graduação no crime, todos os fatores que os levaram a situação de transgredir a Lei são ali aprofundados, nada é feito no sentido de preparar esse indivíduo para que ele ao final de seu tempo de reclusão tenha uma única chance de não voltar ao crime.


Não vamos aqui abordar as inúmeras e prováveis causas que levam as pessoas ao crime, e conseqüentemente a se inscreverem entre os que de acordo com os nossos códigos devem ser punidos. Mas cabe uma reflexão sobre quem são os que superlotam os presídios, entram ruins, saem pior, retornam após cometerem os mesmos crimes que originaram sua primeira prisão, e vão numa escala crescente se tornando mais perigosos, sem que nada seja feito para reverter esse quadro.
A população carcerária brasileira é composta por: negros, “pardos”, pobres, órfãos e analfabetos na sua quase totalidade. Os jovens são “a massa dos que estão presos”. Ou nós consideramos que, os fatores sociais têm um peso enorme na questão do enveredar para o crime e para as drogas, ou teremos que nos admitir adeptos da teoria nazista de Hitler, de que existem raças privilegiadas.

Nossos presídios são masmorras medievais, fétidas, onde só os delinqüentes de “porte” possuem regalias conquistadas com a corrupção.

Um sistema prisional que não pune adequadamente, não tem capacidade de reeducar e até piora o indivíduo, e o devolve para as ruas, ou tempo depois do que devia quando o preso é miserável, ou, antes, quando o preso paga por “bons’ advogados, é um sistema falido e que só contribui para tornar a insegurança e a criminalidade, uma realidade cada vez mais cruel na vida de todos nós.
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9 comentários:

Vincent van Blogh disse...

Bond,

Como sempre, nossa sociedade só acorda para os problemas quando eles explodem.

Esse é um problema que já começa a explodir e a sociedade ainda não percebeu.

007BONDeblog disse...

van

Um sistema prisional como o nosso, que consegue ser um dos piores do mundo, sendo o quarto ou quinto em quantidade de presos, deveria merecer atenção. A CPI do sistema prisional apresentou um importante estudo(rx) do que acontece e deu sugestões que foram solenemente ignoradas até agora.

Um abraço

Anésia Pinheiro disse...

Bond,
Em 1950 fui com minha mãe visitar um primo que havia matado um policial no E.Santo por esse estar levando preso seu irmão com um revolver apontado na sua nuca...
Nunca me esqueci do ambiente daquele presídio, os presos dormiam no chão em esteiras.
O presídio era em Niterói porque enquanto meu primo se refugiava na casa de outro primo na cidade de Sapucáia (E.Rio) e enquanto esperava o momento de se apresentar, um fazendeiro de Sapucáia lhe chicotiou o rosto e ele o matou.
Esse primo foi julgado pelos dois crimes e absolvido.
A família saíu da cidade onde nasceram e foram criados e foram para o norte do Paraná, lá esse primo se tornou delegado e até sua morte nenhum bandido se atrevia à entrar nessa cidade...
Ele é nome de rua e de praça nessa cidade do norte do Paraná...

Quanto ao que se vê até hoje nada adiantou ao deputado Lyzaneas Maciel, cassado pela ditadura, já falecido, sua luta por esse descaso dos governos com o sistema prisional.

A entrada de Lizaneas Maciel na política teve como colaboradora essa modesta comentarista, o que me faz ter muito orgulho do pouco que pude colaborar para um Brasil melhor.

Abs

007BONDeblog disse...

Anésia

Parabéns!

Lyzaneas Maciel foi um político que buscou sempreseposicionar pelas causas de interesse popular e pela democracia.

Vincent van Blogh disse...

Bond,

Já que o nome de Lysâneas Maciel foi citado (atenção à grafia correta), quero aqui prestar minhas homenagens a este valoroso combatente pela democracia.

No início dos anos 70 do século passado, em plena ditadura, na transição entre Médici e Geisel, Lysâneas era uma pequena luz que brilhava no meio da escuridão.

Na época (1974) se discutia muito se devíamos votar no MDB ou votar nulo como forma de protesto.

Eu votei em Lysâneas Maciel e nunca me arrependi desse voto.

Minhas homenagens são extensivas à Anésia que, certamente, tem motivos pelos quais se orgulhar.

007BONDeblog disse...

van

grato pelo comentário e pela observação relativo ao nome.

Um abraço

Anésia Pinheiro disse...

Vincent, você gosta de me provocar...rs
Agora me vem com essa de grafia correta.
Escrevi 2X Lyzaneas, homem igual ao da sua grafia "correta" ou da minha não se vai encontrar outro igual com esse nome e essa bigrafia.
Sabe porque não me preocupei em escrever esse nome corretamente?...
Porque esse HOMEM e toda sua família foram e são meus amigos embora não nos vejamos há algum tempo.
Ele foi meu companheiro de jogar futebol, viajarmos juntos, quase meu concunhado e tinha um sorriso de dar inveja ao Brad Pitt...

O Bond ainda agradece a sua observação relativo ao nome...rs
Que dupla você e o Bond!!! rs

Abs

Vincent van Blogh disse...

Prezada Anésia,

Sinto muito você ter interpretado como provocação um pequeno detalhe do meu comentário.

As partes mais importantes dele que foram a minha homenagem ao ex-deputado e a minha homenagem a você, nem tchuns...

Pena...

Anésia Pinheiro disse...

"Vincente"

Poupe-me!!!

Escrevi o nome desse deputado por duas ocasiões;
Um post que fiz em sua homenagem no GO e aqui nesse post, fora isso só "falei" o nome desse deputado nas incontáveis vezes que estivemos juntos e que me trazem muitas saudades...

A última vez que estive com ele e sua mulher e numa observação minha sobre sua ligação com o Brizola que eu não gostara, ele me respondeu com aquele sorriso doce e meigo que ele tinha com as pessoas que ele amava e era amado...

Bom dia!

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