A qualidade do atendimento médico em nosso Estado/Cidade, vai se deteriorando rapidamente.
Muitas são as causas, uma delas tem relação com a má qualificação dos profissionais que saem das Universidades, não passam por residência médica, não tem, desde o período de internato, um bom acompanhamento. Saem "CRÚ" da Escola, e logo vão parar nas "UPAS da vida", contratados sem concurso pelas famigeradas OSs, que pagam um salário 'maior', mas, contratam precariamente pelo regime de CLT ou COOPERATIVAS. Há hoje uma ROTATIVIDADE enorme de médicos, e uma verdadeira "indústria" de QI - QUEM INDICA - para cobrir buracos em plantões, levando a que um médico apenas por ser conhecido, um médico que sempre trabalhou em AMBULATÓRIO, e não tem a mínima experiência de emergência, mas, está precisando pagar a prestação do apartamento, ou um recém saído da Faculdade, mas que pode fazer o plantão de sábado noite ou domingo dia, horários em que os mais experientes não querem mais trabalhar, sejam "aproveitados" e assumam, muita das vezes, a responsabilidade total em PLANTÕES, sem que tenham o devido preparo. Para um bom atendimento, é preciso uma equipe multidisciplinar coesa, completa, que conheça a rotina do local onde trabalha e com um mínimo de experiência.
O RESULTADO DISSO ?
Médicos pouco preparados, médicos exaustos por acumularem vários plantões, médicos sem vínculo "afetivo" com as Instituições / locais em que trabalham, sem nenhuma perspectiva de carreira, médicos sem autonomia para solicitar exames que consideram necessários, médicos que aceitam o regime escravagista e, muitos médicos, infelizmente, irresponsáveis.
NADA É POR ACASO
Quando as UPAS foram criadas, apresentadas como a "oitava maravilha" elas possuíam, além de Pediatras e Clínicos, Ortopedistas e Cardiologistas. Hoje, só possuem Clínico e Pediatra. Manter Ortopedista e Cardiologista custa caro, é incompatível com o LUCRO que as OSs/EMPRESAS desejam obter. As equipes de Plantão também foram reduzidas. Nas UPAS da Secretaria Estadual, MÉDICOS BOMBEIROS são utilizados para trabalhar.
MORTE ANUNCIADA
Uma jovem de 16 anos, que vai 5 VEZES BUSCAR ATENDIMENTO e, em nenhuma destas vezes tem o seu estado de saúde corretamente avaliado, mostra que a situação é gravíssima. Mas, digamos que esta jovem tenha sido orientada a procurar um CARDIOLOGISTA, QUANDO ELA CONSEGUIRIA AGENDAR UMA CONSULTA ? Terá ela feito os exames necessários nas vezes em que foi buscar os atendimentos ? Foi feito exame de sangue ? Pensaram em ENZIMAS CARDÍACAS ? Eletrocardiograma ? RX de Tórax ? Quais as condições dos locais onde procurou estes atendimentos. Os profissionais são experientes ? Dispõe de recursos para avaliar com segurança o estado de saúde dos pacientes ? As UPAS estavam superlotadas ? Algum "especialista" viu esta jovem ?
Infelizmente não estamos lidando com um caso isolado. A morte de ANDRESSA é mais uma, dentre as muitas que acontecem por conta de uma estrutura de saúde totalmente errada, que visa beneficiar empresas de saúde, tubarões da saúde, destas OSs mambembes. O caso chama a atenção por se tratar de uma jovem, mas, se os óbitos fossem rigorosamente acompanhados, repito, se os ÓBITOS fossem rigorosamente acompanhados, faltaria espaço nos jornais para noticiar casos semelhantes.
É UMA VERGONHA, e nem os CONSELHOS DE CLASSE, Sindicatos, Órgãos da Justiça e os próprios profissionais de saúde, conseguem mais deter a completa DESTRUIÇÃO DA SAÚDE PÚBLICA no Rio de Janeiro e no Brasil.
O que conta é o DINHEIRO.
Quanto vai render um Plantão que não é cumprido de fato, ou para o qual o Dr(a) não está preparado ? Quanto o dono da OS vai faturar no fim do mês ? Quanto o Centro de Imagem ou Laboratório TERCEIRIZADO vai faturar ? Quanto virá de volta via CAIXA DOIS para o BOLSÃO de uns e outros, nestes muitos CONTRATOS FAJUTOS com EMPRESAS que nem autorização para funcionar possuem, e não prestam os serviços pelos quais foram pagas ?
Agonia até o último suspiro
Estudante pediu socorro em quatro unidades de saúde até sofrer parada cardiorrespiratória
POR PALOMA SAVEDRA
Rio - Cinco atendimentos equivocados em cinco dias custaram a vida da estudante Andressa Nunes de Oliveira, 16 anos, que morreu quarta-feira de insuficiência cardiorrespiratória. Ela peregrinou por quatro unidades públicas de saúde — em duas delas esteve duas vezes — desde o sábado e recebeu alta de todas.
Casada e com uma filha que completou 11 meses no dia da morte, a jovem poderia ter tido uma história diferente, não fosse o descaso e a falta de atendimento adequado.
Nem os graves sintomas que apresentava desde o primeiro dia em que pediu socorro foram capazes de alertar médicos sobre o estado de saúde da moradora de Jardim América, Zona Norte. Em alguns postos, ela chegou a ouvir que a pressão alta — que chegou a 16 por 11 — era estresse, devido à festa de aniversário da filha.