Mohammad-Javad Zarif, chanceler do Irã (Max Talbot-Minkin/CC 3.0)
Agência Lusa
Genebra – As grandes potências mundiais e o Irã alcançaram na madrugada de hoje (24) um acordo sobre o controverso programa nuclear de Teerã, anunciou o porta-voz da chefe da diplomacia europeia, Catherine Ashton.
“Chegamos a um acordo”, escreveu no Twitter o porta-voz de Ashton, Michael Mann, citando a chefe da diplomacia europeia, sem avançar em detalhes. O ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Mohammad Javad Zarif, também anunciou um acordo por meio do Twitter.
O Ministério dos Negócios Estrangeiros da Suíça, país anfitrião das negociações, convocou os jornalistas para uma conferência de imprensa esta noite com os ministros que participaram nas negociações, na sede da Organização das Nações Unidas (ONU). A Casa Branca informou em comunicado que o presidente norte-americano, Barack Obama, também vai proferir um discurso na noite de hoje.
Os responsáveis da diplomacia dos Estados Unidos, da Rússia, da China, do Reino Unido, da França e da Alemanha foram para Genebra este fim de semana para finalizar as negociações com o Irã, iniciadas na quarta-feira (20).
Comunidade internacional saúda acordo com Irã, Israel considera "erro histórico"
O presidente da União Europeia, Herman Van Rompuy, saudou igualmente o acordo de "coragem" mostrada pelo Irã e as grandes potências para limitar o programa nuclear iraniano, sublinhando a necessidade de pôr em prática o pacto o mais rapidamente possível.
Já Israel, segundo o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, considerou que com o acordo "o mundo se tornou mais perigoso, porque o regime mais perigoso do mundo deu um passo significativo no caminho para a obtenção da arma mais perigosa do mundo".
Assegurando que o "regime iraniano se comprometeu a destruir Israel", Netanyahu advertiu que "Israel tem o direito e o dever de se defender face a qualquer ameaça" e insistiu que "não deixará o Irã dotar-se de capacidades militares nucleares".
O Irã vive ao ritmo das sanções desde 2006, mas o reforço destas no ano passado fez mergulhar o país em uma crise profunda. A inflação era oficialmente de 36% no final de outubro, o desemprego atingiu mais de 11% e o preço dos produtos de consumo não para de aumentar. O embargo bancário e a suspensão da rede de transferências internacionais Swift também têm afetado a saúde. O preço dos medicamentos disparou e a importação dos mesmos tornou-se complicada.
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