domingo, 5 de janeiro de 2014

EMPREGO, RENDA, CASA E COMIDA - ISSO É REAL - JANIO DE FREITAS ARRASA COM A "TURMA DO CONTRA"

A campanha da moda

Quem não discute gosto anda na moda, que é um modo de não ter gosto (próprio, ao menos). Até por solidariedade aos raros que não se entregam à moda eleitoreira de dizer que 2013 foi um horror brasileiro e 2014 será ainda pior, proponho uns poucos dados para variar.


Com franqueza, mais do que a solidariedade, que tem motivo recente, é uma velha convicção o que vê importância em tais dados. Um exemplo ligeiro: todo o falatório em torno de PIB de 1% ou de 2% nada significa diante da queda do desemprego a apenas 4,6%. Menor que o da admirada Alemanha. Em referência ao mesmo novembro (últimos dados disponíveis a respeito), vimos as manchetes consagradoras "EUA têm o menor desemprego em 5 anos: cai de 7,3% para 7%". O índice brasileiro, o menor já registrado aqui, excelência no mundo, não mereceu manchetes, ficou só em uns títulos e textos mixurucas.

Mas o índice não pode ser positivo: "O índice caiu porque mais pessoas deixaram de procurar emprego". Se mais desempregados conseguiam emprego, como provava o índice antes rondando entre 5,6% e 5,2%, restariam, forçosamente, menos ou mais desempregados procurando emprego? PIB horrível, falta de ajuste fiscal, baixa taxa de investimentos, poucas privatizações, coitado do país. E, no entanto, além do emprego, aumento da média salarial, a ponto de criar este retrato do empresariado de São Paulo: a média salarial no Rio ultrapassou a dos paulistas.

A propósito: com as alterações do Bolsa Família pelo Brasil sem Miséria, retiraram-se 22 milhões de pessoas da faixa dita de pobreza extrema. Com o Minha Casa, Minha Vida, já passam de um milhão as moradias entregues, e mais umas 400 mil avançam para a conclusão neste ano. A cinco pessoas por família, são 7 milhões de beneficiados com um teto decente, água e saneamento.

Sobre dados assim e 2014, escreve o economista-chefe da consultoria MB Associados, Sérgio Vale: "Infelizmente, veremos mais promessas de ampliação do Bolsa Família e do salário mínimo, que, no frigir dos ovos, é o que tende a reeleger a presidente". Da qual, aliás, acha que em 2014 "deverá se apequenar ainda mais". Da mesma linhagem de economistas — a que domina nos meios de comunicação —, Alexandre Schwartsman dá à política que produziu aqueles resultados o qualificativo de "aposta fracassada", porque só deu em "piora fiscal, descaso com a inflação e intervenção indiscriminada, predominando a ideologia onde deveria governar o pragmatismo".

"Infelizmente" e "aposta fracassada" para quem? Para os 22 milhões que saíram da pobreza extrema, os 7 milhões que receberam ou receberão um teto em futuro próximo, os milhões que obtiveram emprego, os milhões ainda mais numerosos que tiveram melhoria salarial?

E, claro, ideologia existe só no que se volta para os problemas e possíveis soluções sociais. Quem se põe de costas para o que não interesse à elite financeira e ao poder econômico, não o faz por ideologia, não. Por esporte, talvez.


Foi a esse esporte, quando praticado orquestradamente nos meios de comunicação, que Dilma Rousseff se referiu como uma "guerra psicológica", e gerou equívocos críticos. Não se trata de "expressão antidemocrática", nem própria dos tempos da ditadura. É a denominação, técnica ou científica, como queiram, de métodos de hostilidade não militares, diferentes das campanhas por não serem declarados em sua motivação e seus fins, e buscando enfraquecer o adversário por variados tipos de desgaste.


Não é o caso da pregação tão óbvia no seu propósito de prejudicar eleitoralmente Dilma Rousseff. E prática tão evidente que, já no início de artigo na Folha, o empresário Pedro Luiz Passos definiu-a como "o negativismo que permeia as análises sobre a economia brasileira, em contraste com a percepção de bem-estar especialmente da base da pirâmide de renda". Ou seja, há um negativismo, intenção de concentrar-se no negativo, real ou manipulado, e a desconsideração do que deu à "base da pirâmide" social alguma percepção de bem-estar.

O elemento essencial na existência de uma Nação é o povo. Não é o território, não é o Estado, ambos inexistentes em várias formas de nação ao longo da história e ainda no presente (os curdos, diversos povos nômades, povos indígenas). O PIB e os ajustes feitos ou reivindicados nunca fizeram nada pelos brasileiros que são chamados de povo. A cliente do PIB, dos gastos governamentais baixos e dos juros bem altos são os que compõem a mínima minoria dos que só precisam, para manter o país, do povo.
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Janio de Freitas, colunista e membro do Conselho Editorial da Folha, é um dos mais importante
s jornalistas brasileiros. Analisa com perspicácia e ousadia as questões políticas e econômicas. Escreve na versão impressa do caderno "Poder" aos domingos, terças e quintas-feiras.


Nota do Blog: As fotos são de nossa responsabilidade e não fazem parte da matéria original publicada na Folha.com

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8 comentários:

José Antônio disse...

Bond, Janio de Freitas é um dos raros jornalistas que se mantém, há décadas, independente e íntegro.

Quem não se lembra das reportagens deste jornalista, nos bons tempos em que a Folha ainda era a Folha, nas quais Janio de Freitas anunciava o conhecimento prévio de inúmeras licitações fraudadeas?

Pelo estratagema simples de publicar os resultados com antecedência, na sessão dos classificados, Janio de Freitas, não só matava a cobra, como também mostrava o pau.

Naquela época, viu D. Lucia, quem estava no poder não era o PT.

E naquela época, D. Lucia, nunca se viu a escandalização para a apuração, julgamento e condenação dos criminosos, como faz hoje a mídia partidária.

Quantos desses crimes foram julgados? Quantos prescreveram? Quantos desses crimes foram levados sob pressão para serem julgados pelo Supremo?

Todos esses crimesm D. Lucia, ocorreram, como a senhora mesmo gosta de escrever, com o dinheiro suado dos "SEUS" impostos.

Ou ser[á que na época, a senhora tina prazer em dar seu suado dinheirinho para enriquecer os donos das empreitaira. As mesmas de hoje, diga-se de passagem.

Ainda precisamos evoluir muito para evitar que essas empreiteiras, símbolo do empreendorismo capitalista nacional, deixem de extorquir o estado.

Mas D. Lucia, aos poucos, se a oposição deixar, até mesmo essas maracutaias centenárias terão que ser coibidas.

Só não vale esquecer todo o passado que as geraram e debitar todo o passivo nas costas do único partido que tem fortalecido as instituições, entre as quais temos como excelente exemplo, a Polícia Federal.

José Antônio disse...


Há um excesso de erros de digitação no texto acima. Acredito, entretanto, que não impeçam a adequada leitura do mesmo.

Mais uma vez, desculpo-me com o blogueiro e com os demais comentaristas.

José Antônio disse...


Do jornalista Clóvis Rocha, hoje na Folha de S. Paulo:

"As ações da empresa MediSwipe deram um tremendo salto nesta semana na bolsa de mercadorias dos Estados Unidos: espetaculares 70%, índice notável mesmo ao se levar em conta que as bolsas norte-americanas tiveram um 2013 bastante positivo.

O que faz a MediSwipe para tornar-se subitamente tão atraente? Ela, em si, nada de marcante. Fornece sistemas de pagamento para a indústria médica.

O que atraiu investidores foi uma cooperativa por ela criada no Estado do Colorado para trabalhar especificamente com a indústria da maconha (marijuana, cannabis ou como se queira chamar). Não por acaso, na véspera do "boom" das ações da MediSwipe, o Colorado tornara-se o primeiro Estado dos EUA a liberar a maconha para lazer.

No país em que o "business" é a alma do negócio, com perdão da redundância, é natural que a novidade logo tivesse uma tradução empresarial. Afinal, o potencial do mercado de marijuana em cinco anos é de US$ 10 bilhões (R$ 23 bilhões), segundo pesquisa do centro ArcView (pesquisas sobre tudo e sobre todos são outra faceta onipresente na sociedade norte-americana).

O sucesso, pelo menos provisório, da MediSwipe pode significar que o entorno da maconha deixará de ser criminoso e se tornará um negócio como outro qualquer, como a venda de álcool, outra droga, como chegou a comparar a BBC?

As autoridades do Colorado acreditam que sim, como é óbvio: calculam que as vendas no Estado poderão chegar a US$ 580 milhões por ano (R$ 1,36 bilhão), gerando US$ 67 milhões em impostos (R$ 157 milhões), a serem empregados em escolas, estradas e outros projetos.

Acreditam, ainda, que pouparão algo em torno de US$ 60 milhões (R$ 140 milhões) em gastos até agora alocados para aplicar as leis de combate às drogas.

O argumento mais poderoso a esse respeito, no entanto, vem do setor privado, mais precisamente de Michael Elliott, diretor-executivo do Grupo da Indústria Médica da Marijuana do Colorado:

"Tivemos 40 anos de guerra às drogas, gastamos um trilhão de dólares. E o que temos? A marijuana é universalmente disponível, temos a mais alta taxa de prisões do mundo e as vendas são dominadas por pessoas que usam a violência para vender drogas, exatamente como Al Capone fazia durante a proibição do álcool. Agora estamos criando negócios que prestam contas e são transparentes", disse ao "Independent".

É rigorosamente o mesmo argumento do presidente do Uruguai, José Mujica, para justificar o projeto recentemente aprovado que legaliza a produção e a venda de maconha sob controle do Estado: "O projeto busca uma alternativa para lutar contra o narcotráfico ante a evidência de que, pelo lado da repressão, a batalha está perdida em todo o mundo, e faz tempo".

Os contrários à nova lei podem negar valia a ela, mas não discutem que a repressão, pura e simples, não funciona ou nunca funcionou.

Pena que no Brasil haja tão pouco interesse em discutir uma alternativa que ponha "business" onde só há violência.
"

José Antônio disse...

Perdão, hoje estou demais.

O nome correto do jornalista é Clóvis Rossi, e não "Rocha".

Anônimo disse...

Um dos piores textos que já li. Sem concisão e abusado de velhos clichês. Jornalista independente? De quem? Do PT é que não é.

Pergunto ao vetusto articulista, extensível aos demais comentaristas, se eles podem me indicar algum país que alcançou desenvolvimento e bem estar social exportando apenas commodities? Esse foi o "milagre" petista, cujo modelo se esgotou. Até o seu menino-propaganda, o Eike Batista, o "Rei das Commodities", regiamente favorecido por generosos empréstimos do BNDES, quebrou. E a conta vai ser paga pelo povo brasileiro. Agora é só derrocada. O falso milagre econômico dessa era começa a cobrar a conta. De nada adianta vir com essa conversinha de números de carteira assinada, o poder aquisitivo dos trabalhadores já começa a despencar com a inflação, e a era de produtos estrangeiros baratos, devido ao dólar depreciado, já era. Esgotaram-se todos os cenários que nos davam uma falsa prosperidade. Agora
é ladeira abaixo.......

H.P. disse...

Retirado, esta lembrança do G.1, lá do Edú Guimarães
O QUE A DIREITA NÃO QUER, E LUTA CONTRA, mandando os coxinhas despolitizados(*) pra rua, É GRANA/EMPREGO/RENDA para a população mais pobre.

Publica então o G.1 em 23/06/2010:
142 BILHÕES INJETADOS NA SOCIEDADE E 3,6 MILHÕES DE EMPREGOS.
"....Copa de 2014 deve injetar R$ 142 bilhões na economia brasileira
Do total, R$ 22,4 bilhões vão garantir a infraestrutura e a organização.
Estudo é da consultoria Ernst & Young, e da Fundação Getúlio Vargas.
Os investimentos na Copa do Mundo devem injetar R$ 142,3 bilhões na economia brasileira entre 2010 e 2014, segundo levantamento divulgado nesta quarta-feira (23) pela consultoria Ernst & Young, em parceria com a Fundação Getúlio Vargas (FGV).
Deste total, R$ 22,4 bilhões serão investimentos diretos para garantir a infraestrutura e a organização necessárias para o evento. Ainda serão gastos mais R$ 7 bilhões com despesas operacionais e de visitantes. Outros R$ 112,79 bilhões deverão ser gerados indiretamente por diversos setores da economia.
O levantamento também estima a criação de 3,6 milhões de empregos e um impacto de R$ 63,4 bilhões sobre a renda. Já a arrecadação dos cofres públicos deve ter um adicional de R$ 18,1 bilhões. O impacto dos investimentos nestes quatro anos representa o equivalente a 2,17% do Produto Interno Brasileiro (PIB) brasileiro previsto para 2010...".

(*) Quem vai pra rua protestar se achando politizado e ATACANDO SIMBOLOS CAPITALISTAS, não existe MAIOR SIMBOLO CAPITALISTA QUE AS ORGANIZAÇÕES GLOBO. Muito acima dos bancos pois ela, Globo, que sustenta a banca e toda roubalheira.

BONDeblog S. O. disse...

Respondo ao VETUSTO anônimo.

O Brasil exporta muito mais do que Commodities.

NOSSA CORRENTE DE COMÉRCIO está hoje em MEIO BILHÃO de Dólares. Um aumento impressionante frente ao que era em 2003.

E geração de empregos não é "conversinha de números de carteira assinada". Isso, emprego, é o que sinaliza de fato o quanto uma economia tem de saudável. É por isso, emprego, que as pessoas estão brigando na EUROPA e nos EUA.

José Antônio disse...

Caro bond,

Acrescento mai, à tua resposta ao VETUSTO anônimo:

É por esta razão que antigamente, no reinado de Feagádeus, o Brasil, pela primeira vez na história, tinha passado a ser uma nação de emigrantes.

É pela mesma razão que, agora, diversos países da Europa, que até então recebiam, muito mal, os brasileiros em seus aeroportos, se tornaram exportadores de trabalhadores.

Eles vão para onde podemm encontrar emprego. Por exemplo, Brasil.

É pela mesma razão que os brasileiros "exportados" durante o reinado de Feagádeus, hoje retornam ao seu país.

Hoje o Brasil volta a ser um país que acolhe, sempre muito bem, todos aqueles povos que aqui quiserem trabalhar e viver suas vidas.

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