
O Pessoal do “morro”, ou “favelados” como muitas vezes são chamados de forma depreciativa, com entonação e conotação preconceituosa, quem mora nessas comunidades, sempre sofreu a acusação de não pagar luz e água, usando do recurso de “gatos” para usufruir desses serviços de primeira necessidade.
Seria negar o obvio que realmente as ligações clandestinas existem em morros e favelas, e que se muitos a utilizam por absoluta necessidade, decorrente da falta de recursos ou da falta de oferta regular, outros o fazem sim por desonestidade e pela certeza de que nessas áreas as empresas fornecedoras não conseguem exercer controle e nem realizar cortes do fornecimento.
Essa realidade vem mudando em algumas das comunidades recentemente ocupadas pela polícia, e que garantem a entrada do Estado com seus serviços básicos e a possibilidade das empresas concessionárias de serviços públicos ou de Televisão paga de oferecerem regularmente e por uma tarifa accessível o seu “produto”.

Mas chama a atenção os números apresentados pelas companhias de água e luz, que apontam para 50% dos “gatos” sendo feitos na parte urbanizada da Cidade do Rio de Janeiro, e o que é pior, por grandes empresas e condomínios de luxo. Com os recursos de monitoramento de que dispõe foi possível detectar pela Light, que uma Boate na Zona Sul ativava o “gato” nos finais de semana exatamente na hora de maior consumo, e a CEDAE que também vem combatendo as ligações clandestinas e desperdício de água descobrir que uma mansão enchia sua piscina com milhões de litros roubados.
Usar de expedientes fraudulentos será sempre condenável, nós poderemos até encontrar atenuantes para algumas situações, jamais, porém, para quem pode pagar e quer ter luxo à custa de furtar, (esse é o termo) os gatos não merecem ser envolvidos nessa história.

Quem não paga pelo serviço, e consequentemente não sente no bolso o quanto ele custa, não economiza e demonstra ainda falta de consciência em relação a necessidade de usar com responsabilidade esse bem precioso que é a água.
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