DEBATE NA BAND – Aqui estão destacados trechos de quatro grandes jornais em sua versão Online, para que o leitor tenha um panorama geral do que foi o debate realizado ontem pela TV Bandeirantes. Foram duas horas, com os candidatos fazendo perguntas diretas entre si. Foi um debate duro, tenso. Se você não viu, perdeu o melhor de todos os encontros desse tipo já realizados na presente eleição.
Tire as suas conclusões.
JORNAL DO BRASIL
JORNAL DO BRASIL
Ataques e acusações marcaram o primeiro debate entre os presidenciáveis que disputam o segundo turno, Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB), promovido pela Rede Bandeirantes na noite deste domingo. A candidata petista foi para o ataque desde a primeira pergunta do debate, quando cobrou do adversário tucano ter sofrido uma "campanha caluniosa" - nas palavras dela - a respeito de sua posição sobre a lei do aborto.
No final do primeiro bloco, Dilma disparou contra Serra afirmando que ele deve esclarecer a questão de Paulo Vieira de Souza, assessor do tucano que, segundo a petista, "fugiu com R$ 4 milhões de sua campanha". O candidato do PSDB não respondeu à questão nem tocou no assunto nos blocos seguintes.
Outro momento em que Dilma foi mais incisiva foi quando a petista cobrou explicações do tucano sobre uma fala da mulher de Serra. "O que não é certo foi sua esposa, a Mônica Serra, falar: 'a Dilma é a favor da morte de criancinhas'", disparou.
O GLOBO
Ainda no primeiro bloco, o clima de confronto aberto entre os candidatos tomou conta. Dilma fez a primeira pergunta a Serra acusando o tucano e seus aliados de fazer uma campanha “do submundo da política”. O tucano respondeu que Dilma estava se vitimizando. Ele afirmou que a população cobra coerência e que por isso as declarações anteriores da petista a favor da descriminalização do aborto precisavam ser conhecidas. “Trata-se de ser coerente, de não ter duas caras”.
A petista fez sua réplica no mesmo tom. Ela afirmou que o adversário tinha de ter cuidado para não ter “mil caras”. Dilma disse que Serra fez a regulamentação dos casos em que o aborto é permitido quando era ministro da saúde. O tucano, em sua tréplica, afirmou que ele apenas editou uma norma técnica para disciplinar a realização de abortos nos casos de estupro e de risco de vida para a mãe, que já estão previstos na legislação desde 1940. O tema aborto foi retomado ainda pelos candidatos em outros momentos do debate.
ESTADÃO
Em suas primeiras falas, Dilma afirmou que foi Serra quem regulamentou a prática do aborto em casos específicos quando era ministro da Saúde. Disse ainda que concorda com a regulamentação, porque “não pode deixar de atender a mulher” que aborta. E reclamou também de declarações da mulher de José Serra, Monica Serra, que declarou ainda no primeiro turno, que Dilma era a favor de “matar criancinhas”. Serra rebateu dizendo nunca ter defendido a legalização do aborto. “Você defendeu e de repente passa e dizer outra coisa”, acusou.
A petista ainda acusou o tucano de realizar sua campanha fazendo calúnias contra Dilma. “Essa forma de fazer campanha, que usa o submundo, é correta?” Serra respondeu que se solidariza com quem recebe ataques pessoais. “Eu tenho recebido muitos ataques por toda a campanha, como nos blogs que levam o seu nome. Nós somos responsáveis por aquilo que pensamos. A população quer saber o que a pessoa fez na vida pública. Vocês confundem matérias de jornais com ataques”, declarou, citando o escândalo da Casa Civil e a polêmica sobre o aborto.
A troca de acusações permeou todo o debate. Enquanto Serra acusava Dilma de ser “duas caras”, a petista respondia afirmando que o tucano “realmente não é o cara, é o mil caras”.
A segurança foi outro tema bastante abordado no debate. Serra exibiu números de redução de homicídios, prometeu criar o Ministério da Segurança e acusou o governo federal de se omitir na questão. Já Dilma respondeu citando a criação da Força Nacional de Segurança Pública e o aumento da integração entre as polícias que, segundo ela, o governo vem promovendo.
O tema das privatizações também voltou ao centro do debate, com Dilma tentando repetir tática que deu certo no segundo turno eleição de 2006, quando o então candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva passou a acusar o tucano Geraldo Alckmin, seu oponente, de planejar retomar as privatizações. A petista citou um assessor de Serra que, de acordo com ela, defendeu a privatização do pré-sal. O tucano rebateu afirmando que a acusação de privatizante aparece sempre no período eleitoral mas, segundo ele, o PT também fez privatizações. Ele diz ainda que vai “reestatizar” empresas públicas loteadas politicamente.
O DIA
Logo na primeira pergunta que fez a Serra, Dilma se queixou do que chamou de “campanha de calúnias, mentiras e difamações”, supostamente orquestrada pelo candidato a vice de seu oponente, Indio da Costa.
“Vocês confundem sempre verdade e matérias de jornal com coisas orquestradas”, rebateu Serra, que afirmou, então, pela primeira vez no debate, que Dilma tem “duas caras” em temas como a defesa do aborto e religião. O tucano também fez questão de lembrar as denúncias de corrupção contra a ex-chefe da Casa Civil, Erenice Guerra. Quando mencionou a sucessora de Dilma, Serra sempre lembrava que ela foi “braço direito” da candidata. Dilma respondeu dizendo que Serra era “mil caras” e que criou lei para legalização do aborto. O adversário ironizou, lembrando que a lei é de 1940 e que ele, próprio, nasceu em 1942 e explicou que o que fez foi regulamentar o que já existia.
Serra citou os 11 arrastões no Rio de semana passada e a segurança precária na Bahia para atacar a política de segurança do atual governo e sugeriu a criação do Ministério da Segurança. Dilma se defendeu falando das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs).
No segundo bloco, Dilma acusou repetidas vezes aliados de Serra de defenderem a privatização do Pré-Sal e recordou a privatização da Vale do Rio Doce.
<>
Foto Estadão
<>

