sábado, 8 de outubro de 2016

JOSÉ TRAJANO X ESPN - PERSEGUIÇÃO POLÍTICA E DEMISSÃO ORDENADA DOS ESTADOS UNIDOS !!?

MACARTISMO E FASCISMO
O JORNALISTA JOSÉ TRAJANO em longa e detalhada entrevista ao Diário do Centro do Mundo, do Rio de Janeiro. 

A matéria foi reproduzida pelo site MSN, onde, o experiente jornalista, conhecido por suas participações como comentarista do "Linha de Passe", admitiu que uma das principais razões por sua saída do canal era sua militância política, principalmente contra a direita no Brasil.

MSN
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Basicamente, foi assim.

Me impressionou muito a solidariedade. No Facebook, pelo WhatsApp, na imprensa… Não sei o que vou fazer, mas agora não tem mais ninguém pra me encher o saco. 

Depois de 21 anos no mesmo lugar, eu fui pego de surpresa. A relação com a ESPN era diferente da que eu tinha em outros lugares porque que sou criador do canal. É forte. 

Fica claro que eles não gostavam do que eu fazia. Incomodava, inclusive, a direção nos Estados Unidos. Soube disso internamente. Mandaram um vídeo meu para lá.

A briga com o Gentili também foi decisiva [Trajano criticou a presença do ex-comediante no “Bate-Bola Debate’’, referindo-se a ele como “um personagem engraçadinho que se posta como se fosse um sujeito que faz apologia do estupro, em nome do humor”].

A direção tomou como uma coisa desagradável. Minha saída foi a soma disso tudo. Eu era monitorado. Numa dessas reuniões com o German, ele comentou o discurso que fiz no caminhão durante um protesto no Largo da Batata. 

“Você falou da união das esquerdas”, ele me disse. Foi mais um pontinho na minha ficha. Dois dias antes da minha demissão, fui à Casa de Portugal num ato em solidariedade a Haddad. Tinha foto minha do lado do Lula. Na manhã seguinte marcaram a conversa com o German.

O episódio do Sidney Rezende não tem a ver com o meu, mas são perseguições diferentes[Sidney foi dispensado da GloboNews em novembro de 2015 após chamar a atenção para a “demonização” do governo Dilma].

Cada caso é um caso, mas todos têm ligação entre si. Eu não me arrependo. Lembro do Niemeyer num Roda Viva, quando ele fez 80 anos. Numa certa altura, ele falou: “No Brasil, só o paredón pode resolver”. Quando cobraram dele essa declaração, ele devolveu que já tinha 80 e podia falar o que quisessem porque iam chamá-lo de gagá.

Eu faço 70 esse mês. A ESPN me deu esse presente. O Juca citou o Darcy Ribeiro, meu mestre, num artigo. O Darcy se orgulhava de suas derrotas.

O macartismo está no ar, em situações diferentes.

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