sábado, 10 de janeiro de 2015

EU TAMBÉM NÃO SOU CHARLIE !


CONDENO VEEMENTEMENTE O ATENTADO TERRORISTA REALIZADO EM PARIS / FRANÇA - LAMENTO PELO BANHO DE SANGUE, FRUTO DE FANATISMO / RADICALISMO / FALTA DE APREÇO PELA VIDA E PELO SEMELHANTE, MAS, NÃO APROVO, NÃO CONCORDO, COM AS OFENSAS GRATUITAS E  DESRESPEITO ACINTOSO CONTRA A CRENÇA RELIGIOSA DE QUEM QUER QUE SEJA, como o praticado por vários jornais e revistas. 

Daí, que ler o BLOG de Leonardo Boff e a matéria lá publicada, deve servir para a reflexão de todos nós.

Crentes e descrentes, podem e devem expressar sua opinião livremente, mas, LIBERDADE de EXPRESSÃO não pode ser confundido com direito à OFENSA e ACHINCALHE de quem e do que quer que seja. 

Os três homens mortos ontem na França, autores da BARBÁRIE em que vários  assassinatos foram cometidos por motivação supostamente religiosa, são DOENTES, contaminados por ÓDIO e pela tendência a resolver VIA VIOLÊNCIA, questões que não os agradam. Outros TANTOS estão por aí, pensando e agindo da mesma forma, ainda que por outros motivos. ATÉ PAÍSES fazem isso, pois colocam seus TANQUES e AVIÕES em invasões de territórios, onde INOCENTES tem sido MASSACRADOS.

Entendo, porém, que  a ARTE e a criatividade, a imprensa e o "CHARGISMO", também devem ter compromisso, (para além da crítica com HUMOR e IRREVERÊNCIA por vezes ácida), com o devido respeito ao ser humano, e aos valores que lhe são caros. É preciso pensar bem e pesar melhor ainda o que seja de FATO, liberdade de EXPRESSÃO

Contribuir para um ambiente de PAZ, entendimento e segurança é OBRIGAÇÃO de todos nós.

007BONDEBLOG


6 comentários:

Lucivaldo Loureiro Neves disse...

Eu acho que não se deve ficar falando mal das Religião dos outros isto é muito perigoso olha o que aconteceu!

José Antônio disse...

Bond, a realidade do mundo ficou muito mais complexa diante dos avanços tecnológicos que nos servem diariamente, à mesa de jantar, todas as tragédias que ocorrem em todos os cantos do mundo.

Todo o mundo tem imediatamente a sua opinião, e a expressa, quase que imediatamente, sem muita reflexão.

Não posso me eximir deste mesmo pecado que atribuo aos outros. Eu também estou sob estado de choque e também emiti opiniões quase que instantaneamente.

Não que eu tenha mudado de opinião após ter lido as diversas manifestações e análises provenientes de diversos autores à direita e à esquerda.

Só que acho necessário deixar de ter opiniões inquestionáveis.

O texto publicado por Leonardo Boff é uma ocasião rara para refletirmos sem muita paixão sobre tudo o que ocorreu.

Se ouso dar a minha opinião, entretanto, ela não deve ser considerado fruto de um pensamento aprofundado, visto que ainda estamos todos sob estado de choque.

Procuro, no entanto, ser o mais possível coerente, para que uma opinião minha, no caso X, não possa ser contraditória no caso do episódio Y.

Muito das minha opiniões, como as de quase todo o mundo, provém da minha história de vida e das experiências pelas quais passei.

Conheci bem o jornal Charlie Hebdo. Para mim era uma espécie de "O Pasquim" francês.

Wolinski, e seus companheiros, eram para mim como Henfil, Jaguar, Ziraldo, Guidddaci, Millor dos velhos tempos.

O ataque ao "Charlie Hebdo" doeu em mim como doeria um ataque com essa brutalidade ao "Pasquim".

Neste sentido eu repito o slogan: "Je suis Charlie".

Tenho horror ao oportunismo com que a extrema-direita está empregando neste caso.

Desculpe-me Bond, para ser mais preciso, tenho horror à extrema-direita, "tout court", já que estamos falando de franceses.

Sei o que é o racismo francês em relação às comunidades árabes que vivem na França.

Os árabes, aliás, não constituem a única comunidade discriminada entre os franceses médios: negros, ciganos, europeus orientais, bósnios, kosovares, também têm sido alvo de medidas, inclusive oficiais, que infernizam suas vidas e dificultam, ainda mais, a sua integração dentro de uma sociedade extremamente fechada e arrogante.

Apesar da França ser considerada a campeã mundial das liberdades, igualdades e fraternidades, o francês médio está pouco se lixando para as populações imigrantes que vieram fazer o serviço sujo que os franceses, quando afluíram economicamente, passaram a se recusar a fazer.

Os bairros de periferia, habitados por estas comunidades, são abandonados, sujos, e suas crianças e adolescentes convivem em um ambiente que, longe de contribuir para integrá-los à sociedade francesa, apenas favorece o seu apartamento (do verbo "apartar") da mesma.

Nada de estranhar, portanto, o ódio com que essas comunidades mantêm com o "sistema": água e azeite.

Acrescente-se a isso, as recentes participações do governo francês apoiando sanções e participando de invasões sob a batuta dos EUA e da Inglaterra contra países que se recusam a compartilhar seus recursos naturais com aqueles que aparecem de tanques, aviões e, agora também de drones, para "difundir a democracia" e o caldo para a explosão social está completo.

Longe ficou no tempo a heróica posição de independência do Presidente, conservador e de direita, Jacques Chirac, se opondo a invasão do Iraque em 2003.

O socialista François Hollande, por exemplo, é incapaz de enfrentar, de igual para igual, as ordens provenientes dos teuto-anglo-saxões.

José Antônio disse...

(continuação...)

Defendo a liberdade de expressão, mas como toda a liberdade, esta também esbarra na liberdade dos outros. Portanto, minha defesa do Charlie Hebdo, distancia-se daqueles que oportunisticamente procuram associar o atentado como sendo um ataque à liberdade de imprensa. Não. Não é.

Preocupa-me a vocalização, em público, de teses, tais como aquelas expressas pelo tiozinho, o daquela revisteca, de que a islamofobia não existe e de que ele, por ser Católico Apostólico Romano, jamais apoiaria um ataque criminoso, como este, caso um jornal satírico fizesse alguma zombaria com o Cristo na cruz.

Só esse comentário seria suficiente para mostrar como o "tiozinho" se sente superior aos outros por ser Católico. Entretanto, o tiozinho, não contente com tal comentário, ainda acrescenta que o islamismo é uma religião atrasada e baseada na violência e que resolveu se contrapor à civilização ocidental, a qual não lhes deve desculpas por séculos e séculos de exploração.

O que propõe o tiozinho?

No passado já houve algumas experiências que não deram certo. Talvez, agora, ele consiga aperfeiçoá-las. Que tal criar Campos de Concentração em Três Córregos, onde as forças ocidentais à medida que ocupassem os países de maioria muçulmana, transferissem compulsoriamente suas populações para esses idílicos campos? Lá eles, através da educação e do trabalho, que, lembremo-nos dos ensinamento germânicos, "liberta", poderiam aprender a se comportar como nós, "gente civilizada".

E, se não fosse suficiente, nada impediria a abertura de campos de extermínio ao lado. A tecnologia de hoje seria capaz de incinerar os corpos dos desobedientes executados de maneira a não deixar muitos odores pútridos de carne humana sobre três Córregos e vizinhanças. Um pouco de pesquisa suplementar e poderiam criar um odor de lavanda que deixaria todos felizes.

Em suma, "a solução final para o problema muçulmano".

Recuso-me a compartilhar das duas teses que se sucederam aos trágicos acontecimento:

a) os cartunistas do Charlie Hebdo fizeram por merecer. O que eles esperavam andando pelas ruas de mini saia?

b) A França e o mundo Ocidental estão diante de uma guerra declarada proveniente de uma religião atrasada (como é fácil apontar o atraso das demais religiões que não aquela que professamos?).

Nenhuma das duas teses favorece o futuro da humanidade. Ao contrário.

Nem sei se a humanidade tem futuro. Mas, tenho a convicção que ou o homem acaba com Deus ou Deus acabará, um dia, com a humanidade.

E só para deixar claro, mais uma vez: "Je suis Charlie".


José Antônio disse...


Impressionante o nível rasteiro de argumentação de alguns dos pseudo jornalistas da nossa grande imprensa.

Demétrio Magnoli, da Folha, por exemplo, deseja criar sua própria polêmica.

Alheio aos debates que, com menor ou maior profundidade, estão ocorrendo através da Internet além de em outros fóruns de discussão, Magnoli decreta que:

"Enquanto, na França, dezenas de milhares saíam às ruas para dizer "Eu sou Charlie", professores universitários brasileiros saíam de suas tocas para celebrar o terror."

Baseado em declarações prestadas por alguns poucos professores, ilustres desconhecidos, que apontaram a complexidade da discussão travada entre os que defendem o direito de se escrever o que bem se entende, ainda que com isso setores específicos da sociedade possam se sentir ofendidos, em oposição àqueles que acham que esse direito tem limites, Magnoli generaliza (e desqualifica) toda uma classe profissional, a quem chamou de "mensageiros da morte", e que tem se esmerado em debater a questão, que não é simples, através de todos os seus possíveis ângulos.

Aqui mesmo, neste blog, eu e o blogueiro divergimos sobre se somos ou não somos "Charlie".

Mas divergimos sem nos ofendermos mutuamente e através de argumentos que podem ou não ser aceitos por terceiros.

Em particular, a posição de Magnoli parece-se com a minha, pois, tal como eu, ele também se declara "Charlie".

Entretanto, temos visões profundamente diferentes sobre o modo como vem ocorrendo esse debate. Não generalizo que jornalistas se transformaram em porta-vozes da extrema-direita islamofóbica; não generalizo que jornalistas defendem apenas a opinião de seus patrões para os quais o debate sobre a regulação econômica da mídia foi interditado sob o pretexto mentiroso de que isso se configuraria em censura.

Não generalizo chamando todos os jornalistas de analfabetos funcionais, tal como parece ser o caso deste jornalista, Demétrio Magnoli.

Felizmente existem jornalistas mais sérios que não se prendem apenas à superfície dos fatos e procuram aprofundar suas opiniões. Decididamente não é este o caso de Magnoli.

http://www1.folha.uol.com.br/colunas/demetriomagnoli/2015/01/1573138-raqqa-aqui.shtml

José Antônio disse...


Em compensação, na mesma Folha de S. Paulo, Leonardo Padura escreve um artigo digno.

Não colocarei o link pois a nova política da Folha impede que os artigos de opinião sejam lidos por não assinantes.

Pior para a folha e seus anunciantes.

Há como contornar a proibição: use um site que transforma html em pdf, online, tal como o encontrado em:

http://www.pdfonfly.com/

Depois é só baixar o PDF obtido e a leitura pode ser feita sem problemas.

José Antônio disse...


Caro Bond,

Veja (ui!!) como são as coisas:

Eu e o Leonardo Padura somos Charlie; você e o Leonardo Boff não são.

O Demétrio Magnoli também é Charlie, mas não do mesmo jeito que eu sou.

O Demétrio Magonoli é apenas um aproveitador mau caráter.

Há outro artigo, desta vez da Dorrit Harazim, publicado no Globo.

Ela também diz, com todas as letras: "Não Somos Todos Charlie".

http://noblat.oglobo.globo.com/geral/noticia/2015/01/nao-somos-todos-charlie.html

A diferença entre todos esses artigos, pró e contra Charlie, está na honestidade dos argumentos.

Com exceção do artigo desonesto do Magnoli, todos os demais apresentam argumentos que merecem nossa reflexão. Sejamos contra ou a favor.

Esse tipo de debate é muito raro no Brasil. Com frequência, os tiozinhos, os magnolis e outros do gênero, infelizmente, fogem ao debate e descambam para a pura calhordice. Comportam-se mais como "chacrinhas" que vêm, para confundir, do que como analistas políticos.

Há que elevar o nível dos debates. Acho que podemos ser contra ou a favor, mas sempre argumentando com honestidade intelectual e saindo da zona de conforto da superfície que nada explica e só reforça estereótipos generalizantes e frequentemente preconceituosos.



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