sexta-feira, 31 de outubro de 2014

CAMPANHA DE AÉCIO USOU PESQUISA COM DADOS FRAUDADOS PARA ENGANAR O ELEITOR DE MINAS GERAIS

E MESMO ASSIM PERDEU A ELEIÇÃO POR UMA DIFERENÇA DE 
600 MIL VOTOS NO ESTADO.


O INSTITUTO VÉRITAS, os responsáveis pela campanha de Aécio Neves e o próprio candidato tucano, tem muito o que explicar à JUSTIÇA ELEITORAL. Aliás não só eles. A REVISTA ISTO É também andou publicando matérias e pesquisas do Instituto SENSUS, com números ABSURDAMENTE FAVORÁVEIS a Aécio Neves. Se VEJA é o esgoto da desinformação e da manipulação, ISTOÉ tem se comportado como sub-esgoto dessa mesma linha de jornalismo partidário, e sem pudor de MENTIR.

Campanha de Aécio usou pesquisa com dados enganosos
RICARDO MENDONÇA
DE SÃO PAULO - 30/10/2014

Informações de uma pesquisa de intenção de voto do instituto Veritá usadas na propaganda de segundo turno do tucano Aécio Neves são comprovadamente enganosas.

Quem confirma é o próprio dono do instituto que fez o levantamento, Adriano Silvoni. E também o estatístico responsável pelas pesquisas do Veritá, Leonard de Assis.

A informação infundada era a liderança de Aécio em Minas Gerais com 14 pontos de vantagem sobre Dilma Rousseff (PT): uma pesquisa que o mostrava com 57% ante 43% da petista.

Tanto o número de entrevistas quanto os municípios de coleta de dados foram definidos pelo Veritá para retratar a disputa eleitoral no Brasil como um todo.

O total de eleitores ouvidos em Minas era suficiente para compor o quadro nacional.

Assim, a pesquisa apontou Aécio com 54,8% em todo o Brasil contra 45,2% para Dilma, diferença de 9,6 pontos.

Segundo Assis, o publicitário Paulo Vasconcelos, responsável pela propaganda de Aécio, pediu para que o Veritá fornecesse os dados das entrevistas feitas só em Minas.

"O estudo não foi feito com essa finalidade", diz. Silvoni, o dono do Veritá, confirma: "Para Minas, foram 561 questionários. Não é confiável".

Mesmo assim, eles acabaram autorizando o envio dos dados. "Eu falei: 'pode pegar, mas cite, por favor, que não representam a realidade de Minas'", lembra Assis.

No dia 14 de outubro, às 17h06, o site do jornal mineiro "Hoje em Dia" publicou que, segundo o Veritá, Aécio tinha 57% dos votos de Minas contra 43% de Dilma, uma vantagem de 14 pontos.

Em seguida, a campanha do PSDB começou a distribuir um release dizendo que o tucano estava 14 pontos à frente no Estado. E na mesma noite, dirigindo-se à Dilma no debate da Band, o próprio Aécio citou: "Pesquisas [em Minas] mostram que estou mais de 10 pontos na sua frente".

No dia 15, os números não representativos do Veritá passaram a ser mostrados também na propaganda de TV do PSDB, que atribuiu a informação ao jornal "Hoje em Dia".

"Eles não podiam usar nesse contexto", diz Assis. "Nós avisamos [...] Usou na garganta. 

A Lei Eleitoral diz que a comprovação de irregularidade em dados publicados de pesquisa sujeita os responsáveis às penas de seis meses a um ano de detenção e multa.

Assis afirma que, ao entregar uma tabela com percentuais não representativos de cada Estado, fez questão de incluir uma nota sobre a não validade das informações.

CLIENTE

Além do problema dos números enganosos, a pesquisa do Veritá pode ter sido registrada de forma fraudulenta. No TSE, consta que o Veritá é, ao mesmo tempo, o contratado e o contratante do estudo, orçado em R$ 300 mil.

Dias atrás, num fórum de debates na internet que reúne profissionais da área de pesquisa, Leonard de Assis afirmou que o formulário do TSE foi preenchido dessa forma porque "o contratante [real] não quis aparecer".

Colaborou PAULO MUZZOLON, de São Paulo

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