quarta-feira, 30 de julho de 2014

UMA CHANCE PARA A PAZ !


A perversão do sionismo em que acredito
Nenhum argumento justifica o fracasso que a morte de tantas crianças representa
POR ROGER COHEN
30/07/2014

A questão para os judeus da Europa foi sempre a mesma: pertencimento. Sejam eles franceses ou alemães, temiam que as sociedades cristãs que os tinham aceito pela metade pudessem se voltar contra eles.

Theodor Herzl, testemunhando o antissemitismo francês durante o caso Dreyfus, escreveu “O Estado Judeu”, em 1896 com a convicção de que a plena aceitação para os judeus nunca viria. Herzl era presciente. O sionismo nasceu de uma conclusão relutante: que os judeus precisavam de uma pátria, porque em nenhum outro lugar jamais iriam estar em casa.

Os estragos da não aceitação europeia perduram. Eu entendo a raiva de um israelense, Naomi Ragen: “Eu vejo a Europa, que perseguiu nossos avós e bisavós e parentes — homens, mulheres e crianças — e os enviou para as câmaras de gás, sem questionamentos. E eu penso: eles são agora os árbitros morais do mundo livre? Eles estão dizendo para os descendentes das pessoas que mataram como devem se comportar quando outros antissemitas querem matá-los?”

Esses antissemitas seriam o Hamas, fazendo chover terror sobre Israel, em busca de sua aniquilação. Nenhum Estado, continua a argumentação de Israel, não responderia com força a tal provocação. Se há mais de mil mortes de palestinos (incluindo 200 crianças), e mais de 50 mortes israelenses, Israel argumenta que a culpa é do Hamas, para quem as vítimas palestinas são o mais poderoso argumento anti-israelense no tribunal da opinião pública mundial.

Eu sou sionista, porque a história dos meus antepassados me convence de que os judeus precisavam da pátria que as Nações Unidas votaram para existir na Resolução 181, de 1947, pedindo o estabelecimento de dois Estados — um judeu, um árabe — na Palestina do mandato britânico. Eu sou um sionista que acredita nas palavras da Carta de fundação de Israel, de 1948, declarando que o Estado nascente seria baseado “na liberdade, justiça e paz como imaginado pelos profetas de Israel.”

O que não posso aceitar, no entanto, é a perversão do sionismo que tem visto o crescimento inexorável de um nacionalismo israelense messiânico reivindicando toda a terra entre o Mar Mediterrâneo e o Rio Jordão; que, durante quase meio século, produziu a opressão sistemática de outro povo na Cisjordânia; que levou à expansão constante dos assentamentos israelenses; que isola os palestinos moderados em nome de dividir para reinar; que persegue políticas que tornam impossível continuar a ser um Estado judeu e democrático; que busca vantagem tática ao invés do avanço estratégico de uma paz baseada em dois Estados; que bloqueia Gaza com 1,8 milhão de pessoas trancadas em sua prisão e depois é surpreendido pelas erupções periódicas dos detentos; e que responde de forma desproporcional ao atacar de uma forma que mata centenas de crianças.

Isto, como um sionista, eu não posso aceitar. Judeus, acima de todas as pessoas, sabem o que é opressão. Nenhum argumento pode justificar o fracasso judaico que a morte de tantas crianças representa.

O Hamas é maligno. Eu ficaria feliz em vê-lo destruído. Mas o Hamas é também o produto de uma situação que Israel reforçou em vez de procurar resolver. Este exercício israelense corrosivo de controle sobre outro povo, criando o desprezo dos poderosos pelos oprimidos, é uma traição ao sionismo em que eu ainda acredito.

Roger Cohen é colunista do “New York Times”


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PREZADOS LEITORES

Com este Post, apostando que ainda existe uma chance para que a PAZ aconteça entre Árabes e Israelenses, encerro minha participação, atuando como moderador, se é que posso ser considerado assim. Amanhã o titular retoma o pleno comando do seu blog, voltando de suas curtas e merecidas férias. Foi uma experiência muito boa. Fiz o melhor que pude. Agradeço a colaboração e compreensão.

Um abraço
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8 comentários:

H.P. disse...

Ao Sr. Moderador, tudo perfeito.

Forte abraço.

José Antônio disse...


Prezado Moderador,

Amanhã, quando o titular retornar, pedirei a ele que dobre o seu salário.

O time um reserva que pode substituir o titular sem que ocorra perda de rendimento.

Tomara que o Flamengo aprenda um pouco com vocês.

José Antônio disse...


Corrigindo:

O time tem um reserva que pode substituir o titular sem que ocorra perda de rendimento.

LRM disse...

Pisou na bola diversas vezes, moderador.

És um "Felipão".

LRM disse...

Amanhã retorna o Titular. O avião da Air France costuma pousar no Galeão pela manhã.

Ai ai, ainda vou virar socialista.....

LRM disse...

Sobre o artigo em si, ridículo.

Israel devolveu terras equivalentes a 3 x o seu território atual, ricas em petróleo, para o Egito. Fez o mesmo com a Jordânia. A idéia da "Grande-Israel" já foi sepultada há muito tempo.

Nunca confiei em comunistas que se dizem sionistas. Isto é um subterfúgio para conseguir legitimidade para a conversinha mole de sempre.......

José Antônio disse...


"Amanhã retorna o Titular. O avião da Air France costuma pousar no Galeão pela manhã.

Ai ai, ainda vou virar socialista.....
"

Não tenho procuração para defender o Bond.

Amanhã ele estará de retorno e poderá se defender sozinho.

Meu comentário, entretanto, é para protestar contra a leviandade das ilações cometidas pela senhora Lucia Ramos Moreira.

Eu não sei para onde o Bond foi. Pode ter ido para Paris, Pindamonhangaba ou Brumadinho.

E ele não tem a obrigação de dizer para onde foi.

O fato de ser socialista ou não, não constitui nenhum impedimento para as férias de uma pessoa.

D. Lucia também já deve ter tirado férias. Já passou até uma temporada em Porto de Galinhas.

E já foi a Paris, também. Disse ter visitado o Museu do Louvre.

E ela não é socialista.

Do jeito que ela fala do Bond, parece que ele cometeu um crime. Se ele cometeu, D. Lucia, a senhora faça o favor de dizer qual ao invés de ficar fazendo comentários venenosos com suposições sem qualquer fundamento.

Pela maneira como D. Lucia escreveu, é de se supor que quando ela foi a Paris e a Porto de Galinhas, ela deve ter aprontado alguma.

E para o seu governo, D. Lucia, a Danusa já andou reclamando que não tem mais graça ir a Paris pois até o porteiro dela ela já encontrou por lá... e provavelmente ele não é socialista.

Apenas mais um trabalhador que passou a receber um salário mais justo para uma tarefa, até há pouco, retribuída com remuneração de trabalho escravo.

Depois, D. Lucia reclama quando afirmo, com todas as letras, que ela só vem aqui para ofender e caluniar pessoas usando sua clássica maledicência.

Tome jeito D. Lucia. Um pouquinho de decência lhe faria bem.

LRM disse...

Xiiii, Sr. José Antônio. Quem disse que é crime visitar Paris, eu, hein?

Abaixa a bola, Sr. José Antônio. É o senhor que está dizendo que ir à Paris é ofensa ou calúnia.

Eu apenas acho hipocrisia ficar defendendo o socialismo e curtir as delícias do capitalismo. Leia "esquerda-caviar" do RC.

Queria ver um petista passar as férias na Coréia do Norte. Só uma vez.

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