sábado, 7 de junho de 2014

RENTISTAS E EMPRESÁRIOS GANANCIOSOS CONLUIADOS CONTRA O GOVERNO DILMA ROUSSEFF

É PROIBIDO DISTRIBUIR RENDA, REDUZIR JUROS E MEXER NA MARGEM DE LUCROS


'Conluio antidistributivo' puniu Dilma, e campanha será mais radicalizada, diz sociólogo
ELEONORA DE LUCENA - FOLHA DE SÃO PAULO
07/06/2014 



Há um "conluio antidistributivo" no Brasil que puniu a presidente Dilma quando ela tentou reduzir as taxas de juros e desvalorizar o real. Empresários compensaram queda no rendimento de aplicações com alta de preços, impedindo uma guinada na política econômica.

A análise é do sociólogo Adalberto Moreira Cardoso, 52, diretor do Instituto de Estudos Sociais e Políticos da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, que inclui no "conluio", parte da classe média rentista e o setor de serviços. Para ele, a campanha eleitoral deste ano será radicalizada, e as mídias sociais alimentam a animosidade.

Doutor pela USP e autor de dez livros –entre eles "A Construção da Sociedade do Trabalho no Brasil" (FGV, 2010) e "Ensaios de sociologia do mercado de trabalho brasileiro" (FGV, 2013)–, Cardoso enxerga Dilma como nome mais forte. Mas, ao contrário do que ocorreu com Lula, prevê que a presidente "não vai poder surfar acima das brigas entre candidatos. Ela vai ser o alvo principal dos ataques".

A seguir, trechos da entrevista concedida por telefone, do Rio de Janeiro.


Folha - Qual sua visão do processo eleitoral?

Adalberto Cardoso - A campanha será mais radicalizada, muito violenta. Não só em relação aos ataques pessoais entre candidatos, mas também nas ruas. Várias cidades há disputas muito intensas pelo poder. Pela primeira vez em 12 anos, a oposição está vendo de fato uma chance de voltar ao poder. No caso do PSB, de chegar ao poder. Ambos estão agindo de maneira muito dura na oposição. As novas mídias sociais estão permitindo o afloramento de um radicalismo raivoso por parte da população. Ele sempre existiu, mas antes não parecia. Nas redes sociais isso fica muito explícito. Isso alimenta uma animosidade entre os contendores muito pouco saudável para a dinâmica da democracia. As redes sociais não têm contribuído para formar opinião, mas para radicalizar as opiniões que as pessoas já têm. Isso é ruim numa dinâmica em que estarão em questão os horizontes da política, o futuro que queremos. Essa eleição reinaugura a disputa política propriamente dita. O PSDB, que agia de maneira errática nas últimas três eleições, está claramente com um projeto mais definido, mais conservador, mais à direita, definindo um eixo de retomada de um projeto que foi bem-sucedido no primeiro mandato de FHC. Mas que fracassou no segundo mandato. O que o Aécio tem afirmando é o projeto do segundo mandato de FHC. O primeiro foi mais claramente neoliberal, com políticas de abertura da economia. Todo o receituário neoliberal, com muita intensidade, foi implementado. No segundo, deu-se um passo adiante, do meu ponto de vista ainda mais equivocado. O primeiro mandato teve a virtude de ter controlado a inflação a um preço muito alto, que foi o do emprego formal, industrial. O Brasil entrou numa rota de desindustrialização a partir de 1995, 1996, que só se aprofundou com o tempo. Chegou-se ao final do segundo mandato com 40% de emprego formal. O emprego industrial, que tinha atingido 22%, foi para 11% da PEA. Houve uma desindustrialização dos empregos e um aumento brutal do desemprego. O custo social das políticas adotadas foi muito alto. As pessoas se esquecem de que o Brasil estava numa rota de dolarização quando Lula ganhou a eleição. O projeto de FHC era de dolarização da economia. Armínio Fraga já tinha transformado quase 40% da nossa divida interna em nominada em dólar, expondo profundamente a economia às intempéries internacionais.

O projeto Aécio é semelhante ao de FHC?

É de voltar às políticas de FHC. Seu possível ministro da Fazenda é Armínio Fraga, um dos responsáveis pela grande fragilidade do Brasil no segundo mandato do FHC. Ele colocou o Brasil numa rota de dolarização da economia num momento em que a dolarização já tinha destruído a economia da Argentina. Ele está fazendo o programa do PSDB, baseado nas políticas neoliberais de financeirização da economia.


11 comentários:

José Antônio disse...


Ingenuidade achar que os "Armínios Fragas" presentes na equipe do Aécio pretendam, caso este venha a ser eleito, fazer suas mudanças nos moldes daquelas empregadas no governo FHC por não avaliarem as consequências ou apenas por terem visões ideológicas diferentes daquela que hoje norteia os governos Lula/Dilma.

Eles não são bobos e a questão não é apenas por "ideologia". O que norteia suas propostas é o interesse, puro e simples, de uma classe em detrimento da maioria dos brasileiros.

Por isso concordo com o entrevistado de que a campanha será muito violenta.

O que pode atenuar, um pouco, os danos do radicalismo dessa campanha é o habitual fogo amigo entre as hostes do ninho tucano.

Vemos hoje, aquilo que um dia foi um dos maiores partidos do Brasil, se desintegrando diante de ações individualistas de seus membros.

Mesmo o interesse de classe que conta com os "Armínios Fragas" para terem seus projetos atendidos, hoje estão subordinados aos projetos pessoais de Aécio, Serra, Alckmin e até mesmo de FHC.

Apesar do discurso de unidade, esses 4 caciques, que ajudaram a afundar o PSDB, não se entendem.

O PT, entretanto, não pode contar apenas com o comportamento suicida dos tucanos. Nem isto é o mais importante.

Ao se extinguirem, os tucanos, um novo partido já começa a tomar forma. Este muito mais forte e responsável por ter dado apoio incondicional aos tucanos e evitado seu naufrágio precocemente: este novo partido, já em avançado processo de formação é o PIG.

É este o partido que deverá assumir, agora de peito aberto, os escombros que serão deixados pelas bicadas sangrentas cometidas entre os próprios tucanos.

Para o PIG, os nomes não interessam: Aécio, Serra, Alckmin, FHC, é tudo descartável.

Já usaram, descartaram e cuspiram no prato em que comeram, os Militares, os Malufs, os ACMs, os Sarneys, os Collors e os Calheiros, entre muitos outros.

Já, os "Armínios Fragas" não.

Na impossibilidade de contar de novo com os militares que, aprenderam o quanto foram abandonados por aqueles mesmos que tanto ajudaram, o PIG vai procurar, agora, um novo forte aliado. Daí os piscares de olhos sensuais entre o PIG e o Judiciário.

É por aí que reside o grande embate que, por enquanto, se encontra na moita sob o disfarce de uma falsa polarização entre PT e PSDB.

Ingenuidade também achar que o embate está restrito a forças exclusivamente nacionais. Há interesses do setor financeiro internacional, aquele cujos bancos são grandes demais para falirem, que convergem bastante com os "Armínios Fragas" e com os interesses de fortalecimento do PIG.

Esses setores, inclusive, veem com bastante reserva aqueles que já foram seus aliados em passado recente.

O PT deve dosar seus esforços no combate ao tucanato, a fim de poupar suas energias para a luta maior que virá, uma vez o tucanato abandonado no meio da estrada, como é o que parece que vai acontecer.

José Antônio disse...

Corrigindo:

O PT deve dosar seus esforços no combate ao tucanato, a fim de poupar suas energias para a luta maior que virá, uma vez que o tucanato será abandonado no meio da estrada, como é o que parece que vai acontecer.

José Antônio disse...


Bond,

Quando escrevi meus comentários acima, não tinha lido a entrevista toda do sociólogo Adalberto Cardoso.

Graças ao link exposto em seu post, pude lê-lo na sua integralidade.

As opiniões do Adalberto Cardoso são bastante pertinentes.

Gostei bastante e recomendo aos demais leitores seguir a entrevista completa.

Excelente matéria trazida para o seu blog.

Estamos precisando de mais intelectuais assim, capazes de analisar a floresta ao invés de perder tempo descrevendo as árvores.

LRM disse...

Sr. Bond,
O senhor está preparado para o fim das UPPs?

Soube agora, de uma raposa felpuda da política fluminense, que o "Bispo" Crivella desistiu da candidatura em favor do Garotinho. Teria sido uma exigência de Dilma contra o "Aezão". Parece que Lindbergh foi rifado, e a chapa no Rio vai ser Dilma/Garotinho. Garotinho vencerá no 1o turno, folgado. Que Deus tenha piedade de nós.

Numa boa, tem como investigar isso?

LRM disse...

Sobre a entrevista do sociólogo Adalberto Cardoso, verifiquei inúmeras contradições:

Primeiro ele diz que o discurso do Aécio está voltado para o primeiro mandato do FHC, que ele diz ter sido bem sucedido, para depois dizer que o Armínio Fraga é quem está conduzindo a política econômica do Aécio, voltado para o segundo mandato do FHC (segundo ele, mal sucedido).

Numa outra derrapada ele disse que a desvalorização do real colocou os agentes econômicos contra o governo. Também disse que a desindustrialização começou no governo FHC. Falso comomuma jota de 3 reais. Todos sabem que os governos Lula e Dilma seguraram a inflação com o dólar baixo e isso provocou a desindustrialização pela entrada de produtos baratos da China. Boa parte da indústria brasileira hoje está produzindo na China. Procurem um aspirador de pó, um liquidificador ou um motor qualquer e vejam se foi feito aqui.

Ainda não li a entrevista toda e certamente ainda vou encontrar mais furos.

LRM disse...

Ao final, deu pra perceber, CLARAMENTE, que o sociólogo falando de economia estava francamente do lado do PT. Era um discurso típico de militante intelectual. Falou um monte de bobagens, tipo que o empresário só investe quando o juro está alto. No tempo da hiperinflação nenhum empresário queria investir na produção. Todos ganhavam no overnight, lembram? O resultado foi um brutal desabastecimento que contribuía para a inflação devido a escassez de produtos. Quando o Plano Real acabou com a inflação só restou aos empresários investir no trabalho, e não na especulação. Isso gerou maior produção de bens de consumo e foi o pilar do sucesso do plano. Não custa lembrar que o PT foi o seu maior inimigo. Quando os juros são baixos o risco de investimento é muito menor, e os ganhos especulativos irrisórios. É nesse momento que os empresários investem na produção.

José Antônio disse...


"Soube agora, de uma raposa felpuda da política fluminense, que o "Bispo" Crivella desistiu da candidatura em favor do Garotinho. Teria sido uma exigência de Dilma contra o "Aezão". Parece que Lindbergh foi rifado, e a chapa no Rio vai ser Dilma/Garotinho. Garotinho vencerá no 1o turno, folgado. Que Deus tenha piedade de nós.

Numa boa, tem como investigar isso?
"

D. Lucia sempre repercutindo boatos. Até hoje não deu uma notícia verdadeira.

Essa última pode ser uma exceção? Poder, pode, mas dada a folha corrida de D. Lucia, acredito que deve ser tão verdadeira como uma nota de 3 reais. (D. Lucia gosta de usar essas notas de 3 reais).

LRM disse...

Sr. José Antônio,
O senhor parece que ainda não aprendeu a ler. Esse PROUNI é uma porcaria mesmo. O MOBRAL dos militares era melhor.

Se eu tivesse TOTAL CERTEZA da veracidade da informação que recebi, e o ato da informação existiu, não estaria pedindo ao Sr. Bond para investigar os fundamentos. Sei que para o Sr. Bond, assim como para o Estado do RJ, a eleição de Garotinho seria um completo desastre. Em dobradinha com a Dilma então, seria um desastre elevado ao cubo, mas essa 2a possibilidade com certeza vcs não compartilham.

BONDeblog S. O. disse...

Senhora Lucia

O movimento não é de retirada da candidatura de Crivella que está mantida. Se CRIVELLA desistir (não creio) será para apoiar Lindbergh, e não Garotinho.

O /PT/Dilma está tentando evitar uma união de Garotinho com Eduardo Campos.

jorge miguel caliman disse...

consertar Banania e seus 514 anos de erros e roubos ninguem ker né... melhor se socio do pcc = cx2 e corrupçao e seguir tocando o barco e dando lux$$ ao slogan kue define a ditadura civil (1988-2014)

É TRIBUTaNDO KUÊ SE ROUBa

força Banania

José Antônio disse...


Tem cada um que aparece aqui, Bond...

Esse quer consertar a banania dele...

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