segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

CAETANO VELOSO ATACA O GLOBO POR CAMPANHA SÓRDIDA CONTRA MARCELO FREIXO



Freixo outra vez

Gosto de Freixo não porque ele é do PSOL. Acho que gosto um tanto do PSOL por ele abrigar Freixo. Sou independente, conforme se vê. Ser estrela é bem fácil. Nada importam as piadas dos articulistas reacionários que classificam minhas posições como Radical Chic. Desprezo a tirada de Tom Wolfe desde o nascedouro. Antigamente tentavam me incluir na chamada esquerda festiva. Isso sim, embora incorreto, me agradava: a expressão brasileira é muito mais alegre, aberta e democrática do que a de Wolfe. 

Mas tenho vivido para desmontar o esquema que exige adesão automática às ideologias da moda. Deploro o resultado das revoluções comunistas. Todas. E, considerando o Terror que se seguiu a 1789, sou cético quanto a revoluções em geral. Na maioria das vezes, a violência se dá, não para fazer a história humana caminhar, mas para estancar seu fluxo. Olho com desconfiança os moços que entram em transe narcisista ao quebrar vidros crendo que desfazem a trama dos poderes. 

Ainda hoje não consigo adotar a posição que considera Eduardo Gianetti, um liberal crítico, ou André Lara Rezende, o homem que põe em discussão o crescimento permanente, conservadores. Nem acho que o conservadorismo seja necessariamente um mal. A adesão de alguns colegas meus à nova direita me deixa nauseado, não por ser à direita, mas por ser automática.

Simplesmente me pergunto qual exatamente será a intenção do GLOBO ao estampar manchetes e editoriais induzindo seus leitores a ligarem Marcelo Freixo aos rapazes que lançaram o rojão que matou Santiago Andrade. A matéria publicada no dia em que saiu a chamada de capa com o nome do deputado era uma não notícia. Nela, a mãe de Fábio Raposo, o rapaz que entregou o foguete a Caio Souza, é citada dizendo acreditar que o filho “tem algum tipo de ligação com Freixo”. Isso em resposta a uma possível declaração do advogado Jonas Tadeu Nunes, que, por sua vez, partiu de uma suposta fala da ativista apelidada Sininho. O GLOBO diz que esta nega. Como então virou manchete a revelação da possível ligação entre o deputado e os rapazes envolvidos no trágico episódio? Eu esperaria mais seriedade no trato de assunto tão grave.

Li o artigo do grande Jânio de Freitas em que ele defende a tese de intenção deliberada de assassinar um jornalista, o que está em desacordo com as imagens exibidas na GloboNews. Sem falar na entrevista do fotógrafo, que afirma que o detonador do artefato tinha mirado os policiais. Claro que me lembrei, ao ver a primeira reportagem na GloboNews, dos carros de emissoras de TV incendiados durante as manifestações, o que me levou a participar da indignação dos âncoras do noticioso. 

Um vínculo simbólico entre aquelas demonstrações de antipatia e o ocorrido em frente à Central é óbvio: um rojão sai das mãos de um manifestante e atinge a cabeça de um jornalista. Mas parece-me abusivo ver nisso o propósito de matar o repórter. Nas matérias que se seguiram, O GLOBO, ecoando falas do advogado Jonas Tadeu, que diz não ser pago por ninguém para defender os dois réus mas conta que um deles diz receber dinheiro para ir às manifestações, insiste em lançar suspeita sobre Freixo, por ser o PSOL, seu partido, um possível doador do alegado dinheiro. Na verdade, as declarações do advogado, mesmo nas páginas do GLOBO, soam inconvincentes. O mesmo Jânio de Freitas, em artigo posterior àquele em que defende a tese de assassinato deliberado, se mostra desconfortável com o comportamento de Jonas Tadeu. 

Já O GLOBO, no qual detecto uma sinistra euforia por poder atacar um político que aparentemente ameaça interesses não explicitados, trata as falas de Tadeu sem crítica. Uma das manchetes se refere a vereadores do PSOL que teriam contribuído para uma ação na Cinelândia, na véspera de Natal, sugerindo ligação do partido com vândalos, quando se tratava de caridade com moradores de rua. O tom usado no GLOBO é, para mim, de profundo desrespeito pela morte de Santiago.

Freixo, em fala firme ao jornal, desmente qualquer ligação com os dois rapazes. Ele também lembra (assim como faz Jânio) que Jonas Tadeu representou o miliciano Natalino.

Quando Freixo era candidato a prefeito, escrevi artigo elogioso sobre ele. O jornal fez uma chamada de capa que, a meu ver, desqualificava meu texto. Manifestei minha indignação. A pessoa do jornal que dialogava comigo me assegurou não ter havido pressão dos chefes. Acreditei. Agora não posso deixar de me sentir mal ao ver a agressividade do jornal contra o deputado. Tudo — incluindo os artigos de autores por quem tenho respeito e carinho — me é grandemente estranho e faço absoluta questão de dividir essa estranheza com quem me lê.

Caetano Veloso
Íntegra de sua coluna do último domingo (16), no O Globo:

5 comentários:

José Antônio disse...

É Bond...

Eu tinha lido o artigo do Caetano e tinha gostado.

De vez em quando ele acaba acertando uma.

José Antônio disse...


Rio Centro: MPF pede pena mínima de 36 anos e 6 meses de prisão para Newton Cruz

- General reformado e mais cinco foram denunciados por envolvimento no atentado

Chico Otavio e Juliana Castro (Twitter)
Publicado: 17/02/14 - 19h40
Atualizado: 17/02/14 - 20h32

"RIO - O Ministério Público Federal (MPF) do Rio pede pena mínima de 36 anos e 6 meses de prisão para o general reformado Newton Cruz por participação no atentado do Riocentro, em 1981. Chefe da Agência Central do Serviço Nacional de Informações (SNI) à época, Cruz confessou em depoimento aos procuradores que soube, ao menos uma hora antes, do plano para o ataque durante o show do Dia do Trabalho. Entre os seis responsabilizados pelo MPF por envolvimento no caso, o general reformado é o que foi denunciado por mais crimes: quatro, no total.

Os procuradores entendem que o general reformado poderia ter evitado o atentado, mas não o fez. Somadas, as penas de Cruz poderiam chegar a 67 anos de prisão - isso se todas as punições máximas fossem aplicadas.

Além de Newton Cruz, o MPF responsabilizou pelo atentado o hoje coronel reformado Wilson Machado (do DOI-I), Nilton Cerqueira (então comandante da Polícia Militar fluminense), o major reformado Divany Barros (agente do DOI-I), o hoje general reformado Edson Sá Rocha e o delegado Cláudio Guerra.

Guerra, Cerqueira e Wilson Machado foram responsabilizados por três crimes, e o MPF pede para eles uma pena mínima de 36 anos de prisão. A pena de cada um deles poderia chegar a 66 anos e 6 meses de prisão
.

Mesmo depois de denunciar os cinco militares e o delegado, o MPF continua a investigação para identificar outros militares que queriam continuar praticando os atentados e está disposto a oferecer delação premiada a quem der informações relevantes para a apuração.
"

Ver reportagem completa em:

http://oglobo.globo.com/pais/riocentro-mpf-pede-pena-minima-de-36-anos-6-meses-de-prisao-para-newton-cruz-11632221







José Antônio disse...

Bond, há uma entrevista muito interessante com o Luiz Eduardo Soares no "Viomundo";

http://www.viomundo.com.br/entrevistas/luiz-eduardo-soares-desmilitarizar-a-pm-legado-historico-do-escravagismo-que-matou-9-646-pessoas-em-dez-anos-no-rio.html

É comprida, mas vale a pena lê-la por quem se interessa por segurança pública.

LRM disse...

A ESQUERDA CAVIAR em ação.....
Nem precisava ter ido tão longe. OS Black Blocs são petistas. O Freixo não tem nada a ver com eles.

José Antônio disse...

D. Lucia Ramos Moreira, não calunie. Calúnia é crime!!

A senhora anda acumulando uma bela folha corrida aqui no blog.

Não tem sido por falta de aviso.

Calúnias, ofensas, apologia ao crime, defesa de atos racistas, ameaças de "tacar" coquetéis molotov no Congresso Nacional, tudo isso está registrado.

Embora avisada muitas vezes, a senhora reincide. O que, certamente, é um agravante.

A liberdade de expressão nos é muito cara e nos custou muito sacrifício para ser usada dessa forma irresponsavelmente, D. Lucia.

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